Vida

Fernando Borges Luzeiro XXVI Leave a Comment

 

Tamanicuá, Juruá – AM.
Tarde quente, atracados no Solimões.
Estávamos tranquilos.
No meu coração, além do evangelho, uma paixão: obstetrícia. O primeiro respirar, o primeiro choro. Alma indefesa. A fragilidade que espera cuidado amante e só. Era um sonho realizar um parto!
Na comunidade, duas gestantes: Kezia e Hellen. Mãe de menina e mãe de menino. Viviam já o último trimestre da gestação e eu dizia: “Estarei aqui quando a hora chegar”.
Noite clara, atracados no Solimões.
Estávamos cansados.
No meu coração a paixão seguia.
Da comunidade se me diziam: “Enfermeira, é chegada a hora!”. Em terra firme a notícia era dupla. Kezia e Hellen sentiam as dores que anunciaram um amor incondicional a vista.
Kezia, por sofrer complicações em seu primeiro parto, referenciei para o hospital de Fonte Boa acompanhada por uma técnica experiente em parto.
Hellen ficou comigo e dona Maria. Enfermeira novata e parteira veterana. Não demorou muito. Meia-noite e dez, sétimo dia de dezembro do ano 2017. O primeiro respirar, o primeiro choro. Alma indefesa. A fragilidade que espera cuidado amante e só. Eu estava ali. Estava ali pra dar o melhor de mim e receber o Natanael, a realização de um sonho meu.
Inesquecível. Grata, muito grata!, a Deus por fazer parte dessa etapa do ciclo da vida.

 
 

Sobre a Autora
Nathane é natural de Campo Luziânia/GO, e é enfermeira na lancha Luzeiro XXVI, que trabalha no município de Juruá, nos rios Solimões e Juruá.

 

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