Curando Feridas

 

Me chamo Jemima e sou uma enfermeira apaixonada por cuidar de feridas desde da graduação. Meu primeiro sonho quando ingressei na faculdade era trabalhar em saúde da família e comunidade, só que não podia ser em qualquer lugar, tinha que ser no Amazonas!

Feliz é lembrar como Deus guiou cada momento pra que chegasse até essa embarcação e viesse junto com a Katherine (médica) e Fernando (comandante) compor a tripulação da Luzeiro XXX, onde atuamos em atendimentos de saúde nas comunidades ribeirinhas.

Na última semana de 2017, fomos atender em uma comunidade dentro da área urbana do município de Carauari, às margens do Rio Juruá. Como previsto, tínhamos muitos atendimentos médicos e alguns de enfermagem.

Ao chegarmos, a agente comunitária de saúde daquela área me convidou para fazermos algumas visitas domiciliares. Em uma delas conheci Sr. R.M.O., um idoso de 63 anos sequelado por hanseníase. Ao passo que conversávamos ele relatou febre em alguns horários específicos e que não se sentia bem. Identifiquei uma lesão por pressão inflamada no cotovelo esquerdo, que nem mesmo ele tinha visto ( por não ter mais uma locomoção boa) e que a perna direita não estava muito bem. Pedi para que a médica o examinasse e ela constatou uma infecção na perna, que dias após evoluiu para uma lesão, apesar da antibioticoterapia. Seguimos acompanhando o Sr R. por mais uns dias, porém por ser um paciente sequelado de hanseníase, essa ferida demoraria em torno de um mês e meio pra cicatrizar (alguns convivem com elas pro resto da vida). Resolvi então fazer as trocas do curativo de Sr. R. com mais frequência.

No primeiro atendimento encontrei a lesão da perna direita infeccionada com um pouco de secreção. Fiz a assepsia e coloquei um curativo especial de alto custo que tinha ganho antes de vir para Luzeiro. Em todo momento que fazia o procedimento, eu não parava de orar. Sempre trabalhei com feridas, mas nunca com pacientes sequelados de hanseníase. Orava pedindo a Deus que cuidasse e sarasse aquele ferimento o mais rápido possível. Quando terminei de atendê-lo, o orientei a não mexer e não molhar até a próxima troca do curativo. Oramos juntos e nos despedimos.
Dois dias depois voltei e vi o milagre de Deus. Aquela lesão não estava mais infeccionada e já conseguíamos enxergar a olho nu a cicatrização que estava ocorrendo e o cotovelo praticamente cicatrizado. Glória a Deus por isso! Eu já tinha até esquecido como é feliz ver feridas complexas cicatrizando.

No campo missionário passamos por muitos desafios, mas os milagres que enxergamos acontecer a nossa volta todos os dias são a maior prova que Deus está ao nosso lado, cuidando milimetricamente de cada detalhe.

Ver milagres é sentir Deus bem perto de nós!

 
 

Sobre a Autora
Jemima Cunha é natural de João Pessoa/PB, e é enfermeira na lancha Luzeiro XXX, que trabalha no município de Carauari, no rio Juruá.

 

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